"A verdade é que a gente não faz filhos. Só faz o layout. Eles mesmos fazem a arte-final."
Luís Fernando Veríssimo

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Nunca Mais Chega o Verão...


... mas já sonho com os meus "meneinus" a correr pela praia, e depois, de banhinho tomado e perfumadíssimos, com estes conguitos, versão vintage, em cores tão bonitas.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

"A Índia é a Índia"


Caiu-me nas mãos ontem, este livrinho do Alberto Moravia. E já não consegui separar-me dele. Não é propriamente uma novidade, mas que se lixe. É muito bom. Ali, incisivo e cristalino. Foi escrito em 1961, durante uma viagem que o escritor italiano fez com a mulher, Elsa Morante, e Pier Paolo Pasolini (que também escreveu um livro, que acabou por ser para aqui chamado, e está, por exemplo, aqui). Talvez por ser extremamente "sintético" (não sou eu que o digo), por reduzir a traços finos aquilo que não muda nem em cinquenta, nem em cem anos, o livro não perde actualidade. Depois deste prelúdio, só mesmo lá.

"E o que é a Índia?
Como hei-de dizer-te? A Índia é a Índia.
Mas suponhamos que eu não sei de todo o que é a Índia. Diz-me tu o que é.
Eu também não sei verdadeiramente o que é a Índia. Sinto-a, é tudo. Também tu deverias senti-la.
O que queres dizer?
Quero dizer que deverias sentir a Índia do mesmo modo que se sente, no escuro, a presença de alguém que não se vê, que guarda silêncio, no entanto está lá."

Alberto Moravia in Uma Ideia de Índia, ed. Tinta da China, 2008



(na imagem, capa do livro Uma Ideia da Índia, de Alberto Moravia, editado em Portugal pela Tinta da China.)

Industrial Romântico


A minha amiga (quase imaginária, fiz-lhe uma entrevista e gostei da onda) Inga Sempé mandou-me imagens deste candeeiro que desenhou para a Wastberg. Vai ser apresentado na feira de Estocolmo, que parece que arranca hoje (e já rumava ao Norte, ou melhor ao Sul, onde está a minha metade na terra). O seu aspecto técnico, industrial, parece estar a milhas de Vapeur, um dos meus objectos preferidos desenhado por Sempé. Mas quando o olhamos melhor, percebemos que é um industrial suavizado, quase romântico. Evocador.

(na imagem, candeeiros Sempé w103 de Inga Sempé para a Wastberg. A editora lança também um novo candeeiro de - Sir -David Chipperfield)

Um Mundo de Contrastes


Passei a adolescência a ouvir a minha mãe dizer-me: "a vida não é só preto e branco, há cinzento também". Hoje compreendo o seu esforço por introduzir algumas nuances na minha paleta radical. Mas aqui está este globo terrestre, a preto e branco contrastado, para dar razão à minha rebeldia. Desenhado pelo atelier nendo, a ideia era fazer um globo mais "emocional", que aqui significa, suponho, mais imediato e instintivo, com a informação reduzida ao essencial, sem ruído visual. Existe em vários tamanhos, e vou mostrá-lo ao G., o meu broto de seis anos apaixonadamente geofreak, assim que chegar da escola.

(na imagem, globo terrestre Corona, de nendo para Watanabe Kyogu)

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Poderosos


Theodore Richardson, Charles Brill e Alex Williams são os três sócios da "Rich, Brilliant, Willing", que não é uma sociedade de advogados com um nome pomposo e eighties (soa a telenovela australiana) mas um atelier de design do mais cool que há. Para começar, estão em Manhattan, a poucos quarteirões do venerável New Museum. E depois, fazem coisas destas. Considerados pela revista Surface um dos novos talentos a seguir com atenção, e com uma linha a sair em breve na cadeia Urban Outfitters, para mim, foram amor à primeira vista.

(na imagem, © richbrilliantwilling, Russian Doll, mesas concêntricas de alumínio, vidro e cortiça que se escondem dentro de outras. Mais Matrioskas. Estão a ver?)

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Alice



Falta menos de um mês para vermos as maravilhas que Tim Burton prepara à volta de Alice. Fevereiro passa a correr (e o que é que não passa, ultimamente?). Irrequietos, lá vamos espreitando trailers, posters, e outros que tais. Como estes desenhos, que acabei de descobrir, assinados por Mr. Burton. São um bom amuse-bouche. E um consolo antecipado para os pessimistas, como eu, que temem que tanta expectativa acabe em desilusão.

(as ilustrações, como se pode ver no crédito, são de Tim Burton. E já agora, o Expresso teve uma iniciativa fora!!! Vai publicar um livro (em 4 volumes) baseado nas obras de Lewis Carroll, com ilustrações de Diogo Munoz -falta-me o til, mas é para ler à espanhola- e comentários do MEC. Começa já amanhã, com a oferta de um baralho de cartas. A ver...)

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Naturalmente


Já que hoje a onda é roots, boa altura para mostrar os móveis para crianças da perludi. São austríacos e fazem coisas muito simples e muito giras, em materiais naturais como a madeira e o feltro (de cores básicas e vibrantes, como se quer quando a ideia é educar crianças espertas). Mais do que a pensar nas crianças, os objectos- caixas modulares para brincar, mesas, beliches e cavalinhos, cadeiras que viram estantes - foram desenhados a pensar como crianças. São naturalmente descomplicados, lúdicos e criativos. Uma delícia. E pensar que acabámos de comprar um beliche cá para casa. Só que não foi este.


(na imagem mesa e bancos OSKARatWORK, revestidos a loden encarnado, da Perludi)

Roots



A fotografia - como diria um amigo meu, "trés nature morte"- é linda. E o projecto também. Chama-se Polderceramics e é da autoria do Atelier NL. A convite de Jurgen Bey e Rianne Makkink, as designers Lonny van Ryswyck e Nadine Sterk fizeram uma residência artística na região de Noordoostpolder, no interior da Holanda. O objectivo era aprofundarem o seu conhecimento das nuances da realidade social e agrícola da região. O resultado foi esta série, com o belíssimo subtítulo "Drawn from Clay". Cada peça de barro é feita a partir de um pedaço preciso de terra, de uma quinta precisa situada, precisamente, neste preciso polder de 460 km2. Nas peças emergem as subtis diferenças de texturas e cores encontradas nos vários solos, mas também a identidade irredutível de cada lugar. Cada peça está marcada com uma referência ao lugar de onde foi retirado o barro que a compõe. Como explica Sterk (num texto de Libby Sellers, que rapidamente pôs as peças à venda na sua galeria guerrilla) "Um balde cheio de terra é anónimo, mas as histórias do agricultor que trabalha a terra dão-lhe uma identidade". O design nunca foi tão roots e tão bom.

("Queríamos fazer um serviço onde os vegetais preparados para o jantar fossem servidos em travessas feitas da mesma terra de onde os vegetais sairam" diz Lonny van Ryswyck, do Atelier NL. Compreendo perfeitamente a emoção. No kidding. A fotografia é de Paul Scala)

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Mistérios e Surpresas


Hoje descobri que o designer Peter Marigold, cotadíssimo nas galerias de design por esse mundo fora, já vendeu cocos na praia de Ipanema. Cocos com rádios lá dentro, ou ventoinhas incorporadas, mas cocos. Também descobri que a designer Constance Guisset, que faz aquelas peças incrivelmente frágeis e cinéticas, gosta de jogar andebol. Andebol. Não percebo nada de andebol, mas de fora, parece-me dos desportos mais violentos que há. Bem diz o meu pai "a vida está cheia de mistérios e de surpresas". Podemos estar a assistir a essa coisa assustadora a que chamam "mudança de paradigma" nos media. Mas, mesmo num skype entrecortado, uma entrevista é uma entrevista, e nunca saimos de uma conversa como chegámos. E isso é naice.

(na imagem, "Shop Sign Bird Houses" (2008) de Peter Marigold)

Combinações


Michael Young desenhou para a Emeco uma cadeira que combina o alumínio e a madeira. É obra, porque a Emeco é conhecida por fazer cadeiras, mas de alumínio. A linha, com o nome Lancaster (em homenagem ao lugar de onde provém a madeira) vai ser oficialmente apresentada em Milão. Fez-me pensar na Steelwood, que adoro, só que ao contrário.

(imagem, linha Lancaster, de Michael Young para a Emeco)