"A verdade é que a gente não faz filhos. Só faz o layout. Eles mesmos fazem a arte-final."
Luís Fernando Veríssimo
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sexta-feira, 19 de março de 2010

Xadrês



Imagino o que não fariam Marcel Duchamp e Man Ray a jogar xadrês num tabuleiro como este, obra de Rachel Whiteread. Os meninos Dada iam de certeza adorar esta e outras criações de artistas contemporâneos à volta do tabuleiro de xadrês, reunidas na exposição The Art of Chess, que se prepara para viajar até Milão (where else?), até à galeria project b, integrando a programação do fuori salone. A exposição não é nova, já itinera pelo mundo há alguns anos, mas vale sempre a pena espreitar os updates.

(na imagem, Modern Chess Set, Rachel Whiteread, 2005, via designboom. E Duchamp e Ray a jogarem uma partida de xadrês nos telhados de Paris, no filme Entr'acte (1924) de René Clair. A pérolazinha, que na versão original era acompanhada de música do mestre Satie, está aqui, no bendito iutubi)


segunda-feira, 15 de março de 2010

Eufemismo


Almoço na Cinemateca, com a minha amiga S., e o radar a funcionar. Na mesa ao lado, uma reunião de fidalgos e celebs culturais à volta de crepes de bacalhau, oiço esta pérola: "eu só uso o facebook para estar ao corrente das novidades". É assim. Uns exibem-se, outros cuscam. E outros ainda mantêm-se "ao corrente das novidades". Quem pode, pode.

(Hoje à tarde na Cinemateca, passa um Rohmer à antiga: Ma Nuit Chez Maud (1969). Saudades de Nova Iorque.)




sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Alice



Falta menos de um mês para vermos as maravilhas que Tim Burton prepara à volta de Alice. Fevereiro passa a correr (e o que é que não passa, ultimamente?). Irrequietos, lá vamos espreitando trailers, posters, e outros que tais. Como estes desenhos, que acabei de descobrir, assinados por Mr. Burton. São um bom amuse-bouche. E um consolo antecipado para os pessimistas, como eu, que temem que tanta expectativa acabe em desilusão.

(as ilustrações, como se pode ver no crédito, são de Tim Burton. E já agora, o Expresso teve uma iniciativa fora!!! Vai publicar um livro (em 4 volumes) baseado nas obras de Lewis Carroll, com ilustrações de Diogo Munoz -falta-me o til, mas é para ler à espanhola- e comentários do MEC. Começa já amanhã, com a oferta de um baralho de cartas. A ver...)

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Dieter Burton




O que têm Dieter Rams e Tim Burton em comum? Absolutamente nada, imaginamos, a não ser que protagonizam duas exposições imperdíveis, uma de cada lado do atlântico. Em Londres, no Design Museum, o guru alemão que revolucionou a paisagem (electro)doméstica com a Braun é objecto de uma retrospectiva contundente, suportada num design de exposição cinco estrelas, da responsabilidade do estúdio Bibliothèque (a propósito, espreitem aqui). Em Manhattan, Tim Burton aterra no MoMA com a sua delirante e deliciosa freakalhada, numa megaexposição com mais de 700 objectos (incluindo desenhos, maquettes, marionetas, esculturas e pinturas) que eleva um dos últimos "auteurs" do cinema americano à categoria de "surrealista pop".

The Design Ethos of Dieter Rams, até 7 de Março no Design Museum, Londres
Tim Burton, até 26 de Abril no MoMA, NYC

(não esqueço os Dez Princípios do Bom Design de Rams. Aliás, ando com eles na cabeça porque se aplicam a muitas coisas da vida. O Design Museum organiza uma conferência sobre o decálogo e convida os participantes a pensarem num 11º princípio. Painel TBA, mas será no dia 2 de Março, no Goethe Institute de Londres (e a pergunta é: terá um jardim como o nosso?))


terça-feira, 1 de dezembro de 2009

A Vida a Fazer-Se


G., o meu filho de seis anos, entretém-se a brincar com um velho Mac que um dia se estatelou no chão, deixou de poder fechar-se e passou de portátil a estático num segundo. Eu já não posso levá-lo comigo nas minhas andanças, mas G. não se importa. Para além de ver o desfile de bandeirinhas de todos os países possíveis e impossíveis na barra de idiomas, o meu filho perde-se pelo iPhoto. Passa horas a ver fotografias, recorta-as, dá-lhes voltas. Mas o verdadeiro prazer é fazê-las correr, umas atrás das outras,o dedo imparável numa vertigem de imagens que se sucedem. "Mãe, queres ver a vida a fazer-se?" pergunta G., sorriso luminoso. De repente lembro-me de Godard. "Le cinéma, c'est 24 fois la verité par seconde".

Imagem: Jean Seberg em À Bout de Souffle (1960). Pergunto-me o que dirá G. quando descobrir os jump cuts.

Tati Entre as Oliveiras



"Plantar uma árvore, ter um filho, criar um blogue". Esta podia ser uma boa máxima para os pais 2.0, entre os quais me incluo, mantendo as devidas distâncias (com o ecrã do computador, é lógico). Continuo a preferir contemplar os ramos de uma oliveira (mesmo que seja uma oliveira urbana, domesticada, como esta que espreita pela minha janela) a seguir o que quer que seja no twitter. Sou uma "proud mother of two" e, como Jonas, fiz 25 anos no ano 2000. O propósito deste blogue é partilhar duas ou três coisas que sei sobre duas ou três coisas de que gosto: design, filhos e outras criaturas (aqui inclui-se de tudo, de livros a cremes "premières rides"). Afinal, crias, crianças, criaturas e criatividade têm todas a mesma raiz. Playtime é uma homenagem evidente a Jacques Tati e a um dos filmes que levaria numa viagem para o espaço. É uma palavra bonita (e "estrangeira"), e reflecte o espírito deste blogue: mostrar bom design, mas sem o levar muito a sério. E mostrar boas ideias para crias e progenitores dos nossos dias, sem brincadeiras. As criaturas e as crias encontram-se neste recreio virtual. Divirtam-se!