"A verdade é que a gente não faz filhos. Só faz o layout. Eles mesmos fazem a arte-final."
Luís Fernando Veríssimo
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sexta-feira, 19 de março de 2010

Mão na Mão


Volto às crias, para mostrar esta "redução"do banco Handle, de Fernando Brízio. Não adoro as cores, mas es lo que hay. Se os grandes chefs fazem reduções, porque não os grandes designers? Chama-se Baby Handle e foi lançado no princípio do ano pela TemaHome. Para quem não conhece, o Handle original está aqui. Ainda não temos o prazer de o ter cá em casa (nem grande, nem pequeno) por isso vamos fazendo compras à janela na montra da loja da Tema, na D. Pedro V.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Make Taste, Not Waste


Parece que o sótão da Bodum está cheio de boas ideias, como este fervedor eléctrico desenhado por Ettore Sottsass em 1986, em pleno movimento Memphis, e agora finalmente editado. É muito pouco eighties, mas ainda assim é eighties, o que é bom e se recomenda. Como se recomenda dar uma vista de olhos na linha e Bodum, uma série de electrodomésticos marcada pelo regresso assumido à cor. A cor preferida dos dinamarqueses, no entanto, parece ser o verde, como se pode ver no anúncio Make Taste, Not Waste, que deixa a Nespresso, assim... encarnada de vergonha. Vão directos ao assunto, e quem quiser pode vê-lo aqui.

(na imagem o fervedor de água desenhado por Ettore Sottsass para a Bodum)

quarta-feira, 17 de março de 2010

Janela Indiscreta



De Berlim a Barcelona quantas horas de distância? Poucas, se escolhermos ficar alojados num dos hotéis Casa Camper, que a marca de sapatos de Maiorca tem nas duas cidades europeias. O "original" fica no Raval barcelonês. O novo Casa Camper, em Berlim, fica a poucos quarteirões da Alexanderplatz e não é uma cópia, mas tem muito em comum com o primeiro. A mesma filosofia relax e design, a mesma paixão por bicicletas e até um mesmo nome para um restaurante diferente: o Dos Palillos, de que já falei aqui. Afinal, são os mesmos arquitectos a assinar o projecto. Mas, como descobri numa reportagem no EPS, há diferenças: nos quartos, as casas de banho dão para a rua, aproveitando a luz natural (e revelando, em sombra chinesa, a silhueta de quem toma duche), há pequenas homenagens à Berlim boémia e decadente que talvez ainda não tenha desaparecido (por exemplo, os interruptores de estética Bauhaus ou os telefones dos anos 30) e no último andar, o bar Tentempié (que em português significa qualquer coisinha para enganar a fome) tem uma vista esplendorosa sobre Berlim. A não perder, a vista nocturna da fachada, onde os quartos iluminados, com os números acesos, dão uma ideia da ocupação do hotel. Mais good news: os preços por noite em Berlim são por enquanto mais baixos que na linda Barcelona.


(na imagem, a fachada intermitente do Casa Camper Berlim. A foto é da Camper e não sei porquê fez-me pensar num filme de Kieslowski)

sábado, 13 de março de 2010

O Génio

A semana do design de Milão já está quase aí e editores, galerias e designers começam a levantar o véu sobre o que vamos ver. Como em tudo, algumas previews são mais apetitosas que outras. Esta, que descobri via designboom é entusiasmante. Trata-se de uma colaboração entre o atelier Studio Job e a designer Pieke Bergmans. Chama-se Wonderlamp e é uma colecção de sete objectos-luz criada para a galeria Dilmos. Tanto o casalinho Job como Bergmans merecem que lhes tiremos o chapéu. Será que sai mesmo um génio destas mega lamparinas rurais atingidas por um vírus?

Caldinho



Nas calmas, até às Caldas, à descoberta do Oeste português, que afinal não é como o outro, e está bem perto. Paragem em Peniche, no Baleal, para G. tirar a barriga de misérias, e ver mar, mar, mar (e sobretudo deixar a cidade para trás, o meu filho "rural"). Já nas Caldas, fizemos "visita de estudo" à Faianças Artísticas Bordallo Pinheiro. E lá passeámos entre rãs e couves, lagostas e coelhos, deliciados com o génio de Raphael. Só não vimos andorinhas. Estavam esgotadas. Ou talvez tenhamos mesmo de esperar pela Primavera.

(nas imagens, as únicas andorinhas que vimos, e algumas peças à venda na loja. Pena que o "museu" acabe aqui. Parece que é só com visita marcada. E parece também que a fábrica prepara surpresas, com novas peças criadas por designers portugueses contemporâneos. Disse-me uma andorinha. Acreditem.)

terça-feira, 9 de março de 2010

Design Academy onde?


Na Sotheby's. É um daqueles improváveis inevitáveis. A Sotheby's de Londres vai receber a primeira exposição da Design Academy Eindhoven (provavelmente a melhor escola de design do mundo) em terras britânicas. E vender as peças. Exactamente um mês depois de pisarem o palco de Milão,os recém formados vão levar a colheita de 2009 ao público inglês. Com esta injecção de sangue novo, a leiloeira, que já namorava seriamente o design do passado, põe um pé no futuro. Sem medo, pudera. É entre 14 e 18 de Maio.

(na imagem, a cascata chuveiro baloiço L'Escarpolette, uma das histórias que a francesa Amélie Onzon, do departamento de Well Being - não adoram os nomes?- da Design Academy Eindhoven, tem para contar. Podem espreitar o resto aqui)

segunda-feira, 8 de março de 2010

O Eterno Retorno



Às vezes, a cópia é melhor que o original. Esse parece ser o caso desta fruteira Blow Up, desenhada pelos irmãos Campana para a Alessi. É uma nova edição que assinala mais de cinco anos de colaboração entre os brasileiros e a marca italiana. E é uma versão em bambú, mais nature e mais quente, da celebérrima peça que desenharam. A graça é que o protótipo dos Campanas era mesmo em bambú, e foi a Alessi que decidiu fabricar a fruteira em aço. Confesso que já me perdi, entre o original e a cópia, e a cópia da cópia que é isso mesmo: o original. Mas é naice. A mesa também. E por isso está aqui.

Flutuar por um Fio



Assim, ainda quero mais fervorosamente um aquecimento central que deixe o tresloucado Inverno realmente lá fora. Este objecto é um humidificador de cerâmica, desenhado por Fernando Brízio para a Il Coccio. Bonito, foi desenhado para repousar em cima de um radiador e equilibrar a secura do ambiente. Vagueando saborosamente entre as linhas rectas e curvas, com a simplicidade e a graça características do trabalho do designer português, Float é uma garrafinha de cerâmica acompanhada por uma esfera de madeira presa por um fio. Brincando com as leis da física, a ideia é encher a garrafa de água, colocá-la no radiador e esperar que se evapore. À medida que o nível de água vai descendo, a bolinha vai subindo, até fechar de novo a garrafa.
Brízio foi um dos oito “top designers” internacionais escolhidos para desenhar um humidificador tão bonito como uma peça de mobiliário. O projecto, coordenado por Giulio Iacchetti (o autor desta purificadora Fabbrica del Vapore) chama-se Il Coccio Design Edition, e conta com as colaborações de Patricia Urquiola e Alfredo Haberli entre outros veneráveis. Todos acompanham o venerabilíssimo Castiglioni, que em 1998 desenhou Fischietto, o humidificador original, agora reeditado e o motivo deste encontro de excepção.


(nas imagens, a família reunida e o humidificador Float, de Fernando Brízio, para Il Coccio. Quem quiser ver mais, pode espreitar por exemplo aqui. Vale a pena)

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Rosebud





A Maison Martin Margiela juntou sete novos objectos à sua colecção para a casa. Há portas autocolantes (réplicas das que vemos nos apartamentos Parisienses pós-Haussman), um snowglobe minimal (onde a paisagem se reduz à neve) e (mon)óculos que ampliam as coisas. Todos, mais ou menos literalmente, em trompe l'oeil. Todos, a fabricar sorrisos laterais em quem os vê (ou compra, e os preços são muito acessíveis, believe me). São produzidos pela francesa Eno, que também edita design feito por designers. Depois de muito esperar, acabei de receber as imagens, que incluem clássicos Margiela como o candeeiro-garrafa. E aqui estão.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Retorno à Natureza


Depois do dia que tive, só mesmo assim, a flutuar na banheira de Wieki Somers. Como ainda não temos uma cá em casa, fecho os olhos e lá vou eu. L'imagination au pouvoir!.

(na imagem, a banheira-barco de Wieki Somers. Inspiração para os detectores de tendências do Studio Edelkoort, que estiveram hoje em Lisboa, a convite da CIN. Eu também lá estive e agora quero mais que nunca mudar-me para uma Farm of the Future. É o retorno à natureza, hi-tech e trendy.)

Home Sweet Home




Ainda não está no site da Vitra, mas já está por todo o lado na Net. Chama-se VitraHaus e é o novíssimo projecto dos arquitectos suíços Herzog & De Meuron para o reputado editor de mobiliário. Ao lado de outros edifícios emblemáticos (um Gehry e um Ando, por exemplo) a VitraHaus é na realidade um showroom, a casa ideal para albergar a "Home Collection" da Vitra, que reúne reedições de clássicos do design e peças contemporâneas assinadas por alguns dos melhores designers da actualidade. Há 16 anos que não se construía nenhum edifício novo no "campus" da Vitra, em Weil-am-Rhein, no Sul da Alemanha. Mas valeu a pena a espera. O edifício empilhado, composto por doze volumes que se "amontoam" entre a ordem e o caos é uma beleza consumada. O eixo vertical, que a Vitra sempre soube aproveitar ao máximo para expôr as suas colecções é aqui magistralmente interpretado, e o impressionante pé-direito que se atinge em alguns pontos não compromete a acolhedora "escala doméstica". O edifício põe em cena dois olhares: durante o dia, sobressai a sua estrutura, e as amplas janelas convidam-nos a olhar para a paisagem exterior. À noite, iluminado, é o interior que se acende.

(imagens Iwan Baan/Vitra)

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Ar Fresco (Lidija Kolovrat)


Depois de vários dias de seclusão caseira (os brônquios reactivos de S. assim o têm exigido!) ontem pus um pé na rua, ao fim da tarde, para visitar o novo espaço de Lidija Kolovrat, na rua D. Pedro V. Que prazer! Não só porque o espaço, uma aparentemente "des", mas cuidadíssima recuperação/intervenção da arquitecta Joana Rosa, está cheio de graça, patine, provocação, mates e brilhos, nem só porque a ideia é fazer do lugar uma plataforma transdisciplinar (para moda, joalharia, arte, design), mas também, para mim, porque soube bem, tão bem, levar com ar fresco (bem frio...) na cara, ruas acima, do Príncipe Real até casa. Quem lá for, olhe para cima por favor, para não perder o candeeiro cinético, as vigas de madeira, com um ar nórdico, (mas estamos em Lisboa?), no amplo estúdio no primeiro andar, ou o florão espelhado, signature da arquitecta. O recheio, naturalmente, acompanhará. Mas temos de esperar para ver. Quase despido, ontem, era a vez do espaço brilhar.

(como não levei a máquina, a imagem é Koolovrat)

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Ron Arad na Barbican


A primeira grande retrospectiva sobre Ron Arad em solo de Sua Majestade abriu hoje na Barbican de Londres. Até que enfim. Afinal, são 30 anos de "carreira" do indomável designer, israelita de nascimento e Londrino de adopção. Dos primeiros e autênticos one-offs, feitos com "sucata" no seu atelier, às peças esculturais dos últimos anos produzidas pelas grandes editoras, tudo num ambiente desenhado pelo próprio Arad (ao que contam, com imensos LEDS, mas ele brilhava sozinho). A exposição chama-se Ron Arad: Restless, e para além da aliteração, que parece estar na moda para baptizar exposições, e do cartaz a acompanhar, genialmente tremido, realmente faz muito sentido tratando-se de quem se trata. A programação paralela convocada pela Barbican, com engenhocas que vão pôr o design de Arad a mexer (irrequieto, lá está) e a primeira noite Sketcha Kutcha, onde, em vez de palavras e slides, os conferencistas vão comunicar através de esquissos e gatafunhos, é igualmente emocionante. Vão, se puderem.

(na imagem, a famosíssima Well Tempered Chair, tornada transparente. Está no site de Ron Arad, e mais nada!)

Gourmandises




Um dos meus livros de cozinha favoritos, sobretudo porque não é um livro de receitas. Já tem uns aninhos mas acaba de ganhar um prémio. Parece que os senhores gourmands se renderam ao design de Eat Love, o livro de Marije Vogelzang, e não é de estranhar. E porque não resisto, a autora, de galinha na cabeça, numa memorável fotografia que foi capa da Icon.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Chimero de Ouro


Às voltas na Net descobri o trabalho de Frank Chimero. Esta ilustração, que está na abertura do site, chama-se A Light That Never Goes Out. É preciosa. É o nocturno ideal, disparador de ligações, com ares de Village e direito a banda sonora imaginária.

(na imagem, ilustração de Frank Chimero. Chimero é professor na Universidade do Missouri e entre os seus clientes encontram-se o The New York Times, a Business Week, a Wired, a Starbucks, e a Nike)

Gelada (Wieki Somers)




O tempo pede-o e aqui está um post sobre a exposição da holandesa Wieki Somers na Kreo. A designer inspirou-se no fenómeno meterológico que em Março de 1987 cobriu de gelo boa parte da paisagem holandesa (Somers descobriu o fenómeno num livro de fotografias encontrado num mercado de rua. E a pergunta é: porquê 1987? Será que não voltaram a ver granizo desde então?). Para Somers, o interessante da chuva gelada não é o que esconde, mas o que revela. E é essa beleza cristalizada que transporta para estes objectos, estranhos, frágeis, e às vezes na fronteira do piroso. Para Frozen in Time, que assim se chama a exposição, Somers cobriu os objectos de uma resina líquida, que solidificada, retém a impressão de estar a liquefazer-se. Não é a Somers desta banheira-barco onde embarcava sem hesitar, mas é bom na mesma.

(imagens de Fabrice Gousset/ Galerie Kreo. A exposição Frozen in Time, a 60ª da Galerie Kreo, em Paris, pode ser vista até 20 de Março)

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Mat e Eu


Quando for grande quero ser como a Matylda (OK, não loira). A vida dela é saltitar de exposição em exposição, de feira em feira, de design week em design week, descobrir imenso design com pinta e conversar com imensas pessoas interessantes. Como tem muita lata, pede aos seus interlocutores que lhe concedam uma "entrevista desenhada". Os entrevistados respondem a três perguntas com rabiscos, gatafunhos, ou gráceis esquissos. E depois Matylda publica tudo no seu blogue. A ideia é gira, o blogue, chamado Mat and Me, também, e por isso partilho para quem não foi ainda lá parar. Espreitem aqui.

E agora, porque não sou Matylda, vou ver se o meu bichinho S. não se destapou. É que como diz a minha amiga R., ele é a melhor peça que fiz.

(na imagem, o autoretrato de Stuart Haygarth, publicado no blogue Mat and Me)


terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Industrial Romântico


A minha amiga (quase imaginária, fiz-lhe uma entrevista e gostei da onda) Inga Sempé mandou-me imagens deste candeeiro que desenhou para a Wastberg. Vai ser apresentado na feira de Estocolmo, que parece que arranca hoje (e já rumava ao Norte, ou melhor ao Sul, onde está a minha metade na terra). O seu aspecto técnico, industrial, parece estar a milhas de Vapeur, um dos meus objectos preferidos desenhado por Sempé. Mas quando o olhamos melhor, percebemos que é um industrial suavizado, quase romântico. Evocador.

(na imagem, candeeiros Sempé w103 de Inga Sempé para a Wastberg. A editora lança também um novo candeeiro de - Sir -David Chipperfield)

Um Mundo de Contrastes


Passei a adolescência a ouvir a minha mãe dizer-me: "a vida não é só preto e branco, há cinzento também". Hoje compreendo o seu esforço por introduzir algumas nuances na minha paleta radical. Mas aqui está este globo terrestre, a preto e branco contrastado, para dar razão à minha rebeldia. Desenhado pelo atelier nendo, a ideia era fazer um globo mais "emocional", que aqui significa, suponho, mais imediato e instintivo, com a informação reduzida ao essencial, sem ruído visual. Existe em vários tamanhos, e vou mostrá-lo ao G., o meu broto de seis anos apaixonadamente geofreak, assim que chegar da escola.

(na imagem, globo terrestre Corona, de nendo para Watanabe Kyogu)

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Poderosos


Theodore Richardson, Charles Brill e Alex Williams são os três sócios da "Rich, Brilliant, Willing", que não é uma sociedade de advogados com um nome pomposo e eighties (soa a telenovela australiana) mas um atelier de design do mais cool que há. Para começar, estão em Manhattan, a poucos quarteirões do venerável New Museum. E depois, fazem coisas destas. Considerados pela revista Surface um dos novos talentos a seguir com atenção, e com uma linha a sair em breve na cadeia Urban Outfitters, para mim, foram amor à primeira vista.

(na imagem, © richbrilliantwilling, Russian Doll, mesas concêntricas de alumínio, vidro e cortiça que se escondem dentro de outras. Mais Matrioskas. Estão a ver?)