"A verdade é que a gente não faz filhos. Só faz o layout. Eles mesmos fazem a arte-final."
Luís Fernando Veríssimo

terça-feira, 9 de março de 2010

Design Academy onde?


Na Sotheby's. É um daqueles improváveis inevitáveis. A Sotheby's de Londres vai receber a primeira exposição da Design Academy Eindhoven (provavelmente a melhor escola de design do mundo) em terras britânicas. E vender as peças. Exactamente um mês depois de pisarem o palco de Milão,os recém formados vão levar a colheita de 2009 ao público inglês. Com esta injecção de sangue novo, a leiloeira, que já namorava seriamente o design do passado, põe um pé no futuro. Sem medo, pudera. É entre 14 e 18 de Maio.

(na imagem, a cascata chuveiro baloiço L'Escarpolette, uma das histórias que a francesa Amélie Onzon, do departamento de Well Being - não adoram os nomes?- da Design Academy Eindhoven, tem para contar. Podem espreitar o resto aqui)

segunda-feira, 8 de março de 2010

O Eterno Retorno



Às vezes, a cópia é melhor que o original. Esse parece ser o caso desta fruteira Blow Up, desenhada pelos irmãos Campana para a Alessi. É uma nova edição que assinala mais de cinco anos de colaboração entre os brasileiros e a marca italiana. E é uma versão em bambú, mais nature e mais quente, da celebérrima peça que desenharam. A graça é que o protótipo dos Campanas era mesmo em bambú, e foi a Alessi que decidiu fabricar a fruteira em aço. Confesso que já me perdi, entre o original e a cópia, e a cópia da cópia que é isso mesmo: o original. Mas é naice. A mesa também. E por isso está aqui.

Flutuar por um Fio



Assim, ainda quero mais fervorosamente um aquecimento central que deixe o tresloucado Inverno realmente lá fora. Este objecto é um humidificador de cerâmica, desenhado por Fernando Brízio para a Il Coccio. Bonito, foi desenhado para repousar em cima de um radiador e equilibrar a secura do ambiente. Vagueando saborosamente entre as linhas rectas e curvas, com a simplicidade e a graça características do trabalho do designer português, Float é uma garrafinha de cerâmica acompanhada por uma esfera de madeira presa por um fio. Brincando com as leis da física, a ideia é encher a garrafa de água, colocá-la no radiador e esperar que se evapore. À medida que o nível de água vai descendo, a bolinha vai subindo, até fechar de novo a garrafa.
Brízio foi um dos oito “top designers” internacionais escolhidos para desenhar um humidificador tão bonito como uma peça de mobiliário. O projecto, coordenado por Giulio Iacchetti (o autor desta purificadora Fabbrica del Vapore) chama-se Il Coccio Design Edition, e conta com as colaborações de Patricia Urquiola e Alfredo Haberli entre outros veneráveis. Todos acompanham o venerabilíssimo Castiglioni, que em 1998 desenhou Fischietto, o humidificador original, agora reeditado e o motivo deste encontro de excepção.


(nas imagens, a família reunida e o humidificador Float, de Fernando Brízio, para Il Coccio. Quem quiser ver mais, pode espreitar por exemplo aqui. Vale a pena)

domingo, 7 de março de 2010

Venham as Andorinhas



Aiiiiiii, se nos vemos na praia, pézinho na areia, gotinhas de água e sal ao de leve na cara, elegantemente escondidas atrás das abas de um chapéu imenso. A olhar a prole, debruçadas sobre os óculos de sol que reflectem a perfeição do dia. Tudo é claro e solar.

Venham as andorinhas, e a seguir as gaivotas!

e até perdoamos a chinfrineira que fazem nas praias desertas, amorosamente abandonadas, desde que seja uma praia, desde que seja Verão.


(este post é dedicado a todas as mães esmeradas dos nosso dias. As que gostavam de ser mães a tempo inteiro, mas não podem. As que são mães a tempo inteiro, e gostavam de ter um emprego 9 to 5. As que não são uma coisa nem outra, e não param de fazer ginástica. As que não dormem (ou pior, dormem duas horas, entrecortadas) e trabalham no dia seguinte. As que dão de mamar e de mimar. As que esquecem que tudo existe (até os blogues) para estar ao pé dos filhos quando eles precisam. A vida é boa e bonita, mesmo quando parece que só quer contrariar!)

(na imagem, um feliz presságio de Primavera, com alguns rebentos da minha Oliveirinha Palito e uma andorinha de Bordalo)

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Rosebud





A Maison Martin Margiela juntou sete novos objectos à sua colecção para a casa. Há portas autocolantes (réplicas das que vemos nos apartamentos Parisienses pós-Haussman), um snowglobe minimal (onde a paisagem se reduz à neve) e (mon)óculos que ampliam as coisas. Todos, mais ou menos literalmente, em trompe l'oeil. Todos, a fabricar sorrisos laterais em quem os vê (ou compra, e os preços são muito acessíveis, believe me). São produzidos pela francesa Eno, que também edita design feito por designers. Depois de muito esperar, acabei de receber as imagens, que incluem clássicos Margiela como o candeeiro-garrafa. E aqui estão.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Retorno à Natureza


Depois do dia que tive, só mesmo assim, a flutuar na banheira de Wieki Somers. Como ainda não temos uma cá em casa, fecho os olhos e lá vou eu. L'imagination au pouvoir!.

(na imagem, a banheira-barco de Wieki Somers. Inspiração para os detectores de tendências do Studio Edelkoort, que estiveram hoje em Lisboa, a convite da CIN. Eu também lá estive e agora quero mais que nunca mudar-me para uma Farm of the Future. É o retorno à natureza, hi-tech e trendy.)

Home Sweet Home




Ainda não está no site da Vitra, mas já está por todo o lado na Net. Chama-se VitraHaus e é o novíssimo projecto dos arquitectos suíços Herzog & De Meuron para o reputado editor de mobiliário. Ao lado de outros edifícios emblemáticos (um Gehry e um Ando, por exemplo) a VitraHaus é na realidade um showroom, a casa ideal para albergar a "Home Collection" da Vitra, que reúne reedições de clássicos do design e peças contemporâneas assinadas por alguns dos melhores designers da actualidade. Há 16 anos que não se construía nenhum edifício novo no "campus" da Vitra, em Weil-am-Rhein, no Sul da Alemanha. Mas valeu a pena a espera. O edifício empilhado, composto por doze volumes que se "amontoam" entre a ordem e o caos é uma beleza consumada. O eixo vertical, que a Vitra sempre soube aproveitar ao máximo para expôr as suas colecções é aqui magistralmente interpretado, e o impressionante pé-direito que se atinge em alguns pontos não compromete a acolhedora "escala doméstica". O edifício põe em cena dois olhares: durante o dia, sobressai a sua estrutura, e as amplas janelas convidam-nos a olhar para a paisagem exterior. À noite, iluminado, é o interior que se acende.

(imagens Iwan Baan/Vitra)

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Muito Chá


Nunca fui uma campeã, como o meu irmão P., que se encharcava em chá (aguado, é certo, e provavelmente cheio de açúcar) desde a mais tenra idade. As avós faziam lanches diários, à séria e à antiga, e ele regalava-se. Mas mesmo sem chegar ao nível do meu mano, lá fui bebericando, desde pequenina, e tomando o gosto à coisa. Mais tarde, o meu pai encenou para mim, várias vezes, a sua particular cerimónia do chá. E ainda hoje, por mais banal que seja a ocasião, repito o ritual com reverência sempre que preparo chá. Por isso, este serviço de chá, de crochet, da Anne Claire Petit, foi um o verdadeiro coup de foudre: imediato e imprevisto, emotivo. É mais um não s'aguenta. e o facto de ter pintinhas, como outros que vimos por aqui, é pura coincidência. Digo eu.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Nacionalidade (Ainda MEC)



A crónica diária do MEC no Público é um bálsamo. Faz-me soltar gargalhadas desobedientes. No metropolitano, tenho vontade de partilhar o que leio com os meus -indiferentes, taciturnos- companheiros de carruagem. Mas não dá. Sai o riso, disparado, disparatado, e ninguém me percebe. No Ainda Ontem de hoje que arranca assim:

"'Há quase cem mil novos portugueses desde que a Lei da Nacionalidade entrou em vigor, no final de 2006.' Isto fora os novos portugueses que não tiveram voto na matéria: o mais velho tem menos do que quatro anos de idade"

e quase termina assim:

"Temos sido inteligentes nos imigrantes que atraímos - até porque é estranho haver estrangeiros que querem viver num dos países mais pobres, mal pagos e melancólicos da Europa. Não obstante ser dos mais bonitos e menos maldosos."

"menos maldosos" é muito bom.


Ar Fresco (Lidija Kolovrat)


Depois de vários dias de seclusão caseira (os brônquios reactivos de S. assim o têm exigido!) ontem pus um pé na rua, ao fim da tarde, para visitar o novo espaço de Lidija Kolovrat, na rua D. Pedro V. Que prazer! Não só porque o espaço, uma aparentemente "des", mas cuidadíssima recuperação/intervenção da arquitecta Joana Rosa, está cheio de graça, patine, provocação, mates e brilhos, nem só porque a ideia é fazer do lugar uma plataforma transdisciplinar (para moda, joalharia, arte, design), mas também, para mim, porque soube bem, tão bem, levar com ar fresco (bem frio...) na cara, ruas acima, do Príncipe Real até casa. Quem lá for, olhe para cima por favor, para não perder o candeeiro cinético, as vigas de madeira, com um ar nórdico, (mas estamos em Lisboa?), no amplo estúdio no primeiro andar, ou o florão espelhado, signature da arquitecta. O recheio, naturalmente, acompanhará. Mas temos de esperar para ver. Quase despido, ontem, era a vez do espaço brilhar.

(como não levei a máquina, a imagem é Koolovrat)