"A verdade é que a gente não faz filhos. Só faz o layout. Eles mesmos fazem a arte-final."
Luís Fernando Veríssimo

quarta-feira, 17 de março de 2010

Janela Indiscreta



De Berlim a Barcelona quantas horas de distância? Poucas, se escolhermos ficar alojados num dos hotéis Casa Camper, que a marca de sapatos de Maiorca tem nas duas cidades europeias. O "original" fica no Raval barcelonês. O novo Casa Camper, em Berlim, fica a poucos quarteirões da Alexanderplatz e não é uma cópia, mas tem muito em comum com o primeiro. A mesma filosofia relax e design, a mesma paixão por bicicletas e até um mesmo nome para um restaurante diferente: o Dos Palillos, de que já falei aqui. Afinal, são os mesmos arquitectos a assinar o projecto. Mas, como descobri numa reportagem no EPS, há diferenças: nos quartos, as casas de banho dão para a rua, aproveitando a luz natural (e revelando, em sombra chinesa, a silhueta de quem toma duche), há pequenas homenagens à Berlim boémia e decadente que talvez ainda não tenha desaparecido (por exemplo, os interruptores de estética Bauhaus ou os telefones dos anos 30) e no último andar, o bar Tentempié (que em português significa qualquer coisinha para enganar a fome) tem uma vista esplendorosa sobre Berlim. A não perder, a vista nocturna da fachada, onde os quartos iluminados, com os números acesos, dão uma ideia da ocupação do hotel. Mais good news: os preços por noite em Berlim são por enquanto mais baixos que na linda Barcelona.


(na imagem, a fachada intermitente do Casa Camper Berlim. A foto é da Camper e não sei porquê fez-me pensar num filme de Kieslowski)

On The Road


Um destes dias, pegamos na Vespa e vamos pela estrada fora. Até Aljezur, São Petersburgo ou Goa. Mas vamos.
Enquanto não arrancamos, vento na cara e nenhuma fronteira entre nós e o mundo, resguardamo-nos no ninho. Cabecinha na almofada, assim, assim.

(na imagem, a almofada de J., feita com um tecido japonês (!) que comprámos na retrosaria)

segunda-feira, 15 de março de 2010

Eufemismo


Almoço na Cinemateca, com a minha amiga S., e o radar a funcionar. Na mesa ao lado, uma reunião de fidalgos e celebs culturais à volta de crepes de bacalhau, oiço esta pérola: "eu só uso o facebook para estar ao corrente das novidades". É assim. Uns exibem-se, outros cuscam. E outros ainda mantêm-se "ao corrente das novidades". Quem pode, pode.

(Hoje à tarde na Cinemateca, passa um Rohmer à antiga: Ma Nuit Chez Maud (1969). Saudades de Nova Iorque.)




Viva a Diferença


Não gosto de gatos. Mas para este abro uma excepção. É o Biglouche e tem um pequeno problema: é estrábico. A parte boa da história é que o gato, que é manhoso, como todos os felinos, consegue transformar o problema numa vantagem. É um dos livros predilectos dos meus crios (um e outro, 6 anos e 20 meses) e cá em casa não nos cansamos de o ler. Em francês, como está na edição que temos, ou em português, "dobrado", por cima. Rimos até às lágrimas. E sempre que viramos a página, e descobrimos o seu olhar ternurento e perdido, é como se fosse a primeira vez.

sábado, 13 de março de 2010

O Génio

A semana do design de Milão já está quase aí e editores, galerias e designers começam a levantar o véu sobre o que vamos ver. Como em tudo, algumas previews são mais apetitosas que outras. Esta, que descobri via designboom é entusiasmante. Trata-se de uma colaboração entre o atelier Studio Job e a designer Pieke Bergmans. Chama-se Wonderlamp e é uma colecção de sete objectos-luz criada para a galeria Dilmos. Tanto o casalinho Job como Bergmans merecem que lhes tiremos o chapéu. Será que sai mesmo um génio destas mega lamparinas rurais atingidas por um vírus?

Caldinho



Nas calmas, até às Caldas, à descoberta do Oeste português, que afinal não é como o outro, e está bem perto. Paragem em Peniche, no Baleal, para G. tirar a barriga de misérias, e ver mar, mar, mar (e sobretudo deixar a cidade para trás, o meu filho "rural"). Já nas Caldas, fizemos "visita de estudo" à Faianças Artísticas Bordallo Pinheiro. E lá passeámos entre rãs e couves, lagostas e coelhos, deliciados com o génio de Raphael. Só não vimos andorinhas. Estavam esgotadas. Ou talvez tenhamos mesmo de esperar pela Primavera.

(nas imagens, as únicas andorinhas que vimos, e algumas peças à venda na loja. Pena que o "museu" acabe aqui. Parece que é só com visita marcada. E parece também que a fábrica prepara surpresas, com novas peças criadas por designers portugueses contemporâneos. Disse-me uma andorinha. Acreditem.)

terça-feira, 9 de março de 2010

Design Academy onde?


Na Sotheby's. É um daqueles improváveis inevitáveis. A Sotheby's de Londres vai receber a primeira exposição da Design Academy Eindhoven (provavelmente a melhor escola de design do mundo) em terras britânicas. E vender as peças. Exactamente um mês depois de pisarem o palco de Milão,os recém formados vão levar a colheita de 2009 ao público inglês. Com esta injecção de sangue novo, a leiloeira, que já namorava seriamente o design do passado, põe um pé no futuro. Sem medo, pudera. É entre 14 e 18 de Maio.

(na imagem, a cascata chuveiro baloiço L'Escarpolette, uma das histórias que a francesa Amélie Onzon, do departamento de Well Being - não adoram os nomes?- da Design Academy Eindhoven, tem para contar. Podem espreitar o resto aqui)

segunda-feira, 8 de março de 2010

O Eterno Retorno



Às vezes, a cópia é melhor que o original. Esse parece ser o caso desta fruteira Blow Up, desenhada pelos irmãos Campana para a Alessi. É uma nova edição que assinala mais de cinco anos de colaboração entre os brasileiros e a marca italiana. E é uma versão em bambú, mais nature e mais quente, da celebérrima peça que desenharam. A graça é que o protótipo dos Campanas era mesmo em bambú, e foi a Alessi que decidiu fabricar a fruteira em aço. Confesso que já me perdi, entre o original e a cópia, e a cópia da cópia que é isso mesmo: o original. Mas é naice. A mesa também. E por isso está aqui.

Flutuar por um Fio



Assim, ainda quero mais fervorosamente um aquecimento central que deixe o tresloucado Inverno realmente lá fora. Este objecto é um humidificador de cerâmica, desenhado por Fernando Brízio para a Il Coccio. Bonito, foi desenhado para repousar em cima de um radiador e equilibrar a secura do ambiente. Vagueando saborosamente entre as linhas rectas e curvas, com a simplicidade e a graça características do trabalho do designer português, Float é uma garrafinha de cerâmica acompanhada por uma esfera de madeira presa por um fio. Brincando com as leis da física, a ideia é encher a garrafa de água, colocá-la no radiador e esperar que se evapore. À medida que o nível de água vai descendo, a bolinha vai subindo, até fechar de novo a garrafa.
Brízio foi um dos oito “top designers” internacionais escolhidos para desenhar um humidificador tão bonito como uma peça de mobiliário. O projecto, coordenado por Giulio Iacchetti (o autor desta purificadora Fabbrica del Vapore) chama-se Il Coccio Design Edition, e conta com as colaborações de Patricia Urquiola e Alfredo Haberli entre outros veneráveis. Todos acompanham o venerabilíssimo Castiglioni, que em 1998 desenhou Fischietto, o humidificador original, agora reeditado e o motivo deste encontro de excepção.


(nas imagens, a família reunida e o humidificador Float, de Fernando Brízio, para Il Coccio. Quem quiser ver mais, pode espreitar por exemplo aqui. Vale a pena)

domingo, 7 de março de 2010

Venham as Andorinhas



Aiiiiiii, se nos vemos na praia, pézinho na areia, gotinhas de água e sal ao de leve na cara, elegantemente escondidas atrás das abas de um chapéu imenso. A olhar a prole, debruçadas sobre os óculos de sol que reflectem a perfeição do dia. Tudo é claro e solar.

Venham as andorinhas, e a seguir as gaivotas!

e até perdoamos a chinfrineira que fazem nas praias desertas, amorosamente abandonadas, desde que seja uma praia, desde que seja Verão.


(este post é dedicado a todas as mães esmeradas dos nosso dias. As que gostavam de ser mães a tempo inteiro, mas não podem. As que são mães a tempo inteiro, e gostavam de ter um emprego 9 to 5. As que não são uma coisa nem outra, e não param de fazer ginástica. As que não dormem (ou pior, dormem duas horas, entrecortadas) e trabalham no dia seguinte. As que dão de mamar e de mimar. As que esquecem que tudo existe (até os blogues) para estar ao pé dos filhos quando eles precisam. A vida é boa e bonita, mesmo quando parece que só quer contrariar!)

(na imagem, um feliz presságio de Primavera, com alguns rebentos da minha Oliveirinha Palito e uma andorinha de Bordalo)