"A verdade é que a gente não faz filhos. Só faz o layout. Eles mesmos fazem a arte-final."
Luís Fernando Veríssimo

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Alice



Falta menos de um mês para vermos as maravilhas que Tim Burton prepara à volta de Alice. Fevereiro passa a correr (e o que é que não passa, ultimamente?). Irrequietos, lá vamos espreitando trailers, posters, e outros que tais. Como estes desenhos, que acabei de descobrir, assinados por Mr. Burton. São um bom amuse-bouche. E um consolo antecipado para os pessimistas, como eu, que temem que tanta expectativa acabe em desilusão.

(as ilustrações, como se pode ver no crédito, são de Tim Burton. E já agora, o Expresso teve uma iniciativa fora!!! Vai publicar um livro (em 4 volumes) baseado nas obras de Lewis Carroll, com ilustrações de Diogo Munoz -falta-me o til, mas é para ler à espanhola- e comentários do MEC. Começa já amanhã, com a oferta de um baralho de cartas. A ver...)

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Naturalmente


Já que hoje a onda é roots, boa altura para mostrar os móveis para crianças da perludi. São austríacos e fazem coisas muito simples e muito giras, em materiais naturais como a madeira e o feltro (de cores básicas e vibrantes, como se quer quando a ideia é educar crianças espertas). Mais do que a pensar nas crianças, os objectos- caixas modulares para brincar, mesas, beliches e cavalinhos, cadeiras que viram estantes - foram desenhados a pensar como crianças. São naturalmente descomplicados, lúdicos e criativos. Uma delícia. E pensar que acabámos de comprar um beliche cá para casa. Só que não foi este.


(na imagem mesa e bancos OSKARatWORK, revestidos a loden encarnado, da Perludi)

Roots



A fotografia - como diria um amigo meu, "trés nature morte"- é linda. E o projecto também. Chama-se Polderceramics e é da autoria do Atelier NL. A convite de Jurgen Bey e Rianne Makkink, as designers Lonny van Ryswyck e Nadine Sterk fizeram uma residência artística na região de Noordoostpolder, no interior da Holanda. O objectivo era aprofundarem o seu conhecimento das nuances da realidade social e agrícola da região. O resultado foi esta série, com o belíssimo subtítulo "Drawn from Clay". Cada peça de barro é feita a partir de um pedaço preciso de terra, de uma quinta precisa situada, precisamente, neste preciso polder de 460 km2. Nas peças emergem as subtis diferenças de texturas e cores encontradas nos vários solos, mas também a identidade irredutível de cada lugar. Cada peça está marcada com uma referência ao lugar de onde foi retirado o barro que a compõe. Como explica Sterk (num texto de Libby Sellers, que rapidamente pôs as peças à venda na sua galeria guerrilla) "Um balde cheio de terra é anónimo, mas as histórias do agricultor que trabalha a terra dão-lhe uma identidade". O design nunca foi tão roots e tão bom.

("Queríamos fazer um serviço onde os vegetais preparados para o jantar fossem servidos em travessas feitas da mesma terra de onde os vegetais sairam" diz Lonny van Ryswyck, do Atelier NL. Compreendo perfeitamente a emoção. No kidding. A fotografia é de Paul Scala)

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Mistérios e Surpresas


Hoje descobri que o designer Peter Marigold, cotadíssimo nas galerias de design por esse mundo fora, já vendeu cocos na praia de Ipanema. Cocos com rádios lá dentro, ou ventoinhas incorporadas, mas cocos. Também descobri que a designer Constance Guisset, que faz aquelas peças incrivelmente frágeis e cinéticas, gosta de jogar andebol. Andebol. Não percebo nada de andebol, mas de fora, parece-me dos desportos mais violentos que há. Bem diz o meu pai "a vida está cheia de mistérios e de surpresas". Podemos estar a assistir a essa coisa assustadora a que chamam "mudança de paradigma" nos media. Mas, mesmo num skype entrecortado, uma entrevista é uma entrevista, e nunca saimos de uma conversa como chegámos. E isso é naice.

(na imagem, "Shop Sign Bird Houses" (2008) de Peter Marigold)

Combinações


Michael Young desenhou para a Emeco uma cadeira que combina o alumínio e a madeira. É obra, porque a Emeco é conhecida por fazer cadeiras, mas de alumínio. A linha, com o nome Lancaster (em homenagem ao lugar de onde provém a madeira) vai ser oficialmente apresentada em Milão. Fez-me pensar na Steelwood, que adoro, só que ao contrário.

(imagem, linha Lancaster, de Michael Young para a Emeco)

sábado, 30 de janeiro de 2010

Matrioska Mood




É impressionante como proliferam as Matrioskas. Parecem cogumelos. Vêm por ondas, levas, rajadas, e parece que estamos de novo imersos num Matrioska Mood generalizado. Não sei onde começam as tendências. Parece-me que não são obra de cabeças, isoladas ou agrupadas, que de repente se põem a bolar o que se vai usar, ouvir, ou dizer. Não são uma coisa consciente, assim. E por isso às vezes, intuitivamente, de olhos fechados, antecipamos tendências (como quando penso no que terei feito às minhas velhas doc martens castanhas e depois vejo que as recuperam na Comptoir des Cottoniers). Outras vezes limitamo-nos a constatá-las. Como no caso da mania das Matrioskas. O fascínio que exercem sobre nós deve ter alguma explicação. Será a escala? a expectativa? a falsa surpresa? a sensação de infinito? A abrir e fechar mulheres redondas, de lenço na cabeça e bochechas rosadas, da "mãe de todas" à mais pequena (a única que não contém segredos anunciados) deslizo com estranheza até à minha infância. S. ressona, ao meu lado. A chupeta adormecida, ao seu lado. Acho que nunca viu uma Matrioska.

(nas imagens: papel de embrulho da nineteenseventythree, macacão da theirnibs e boneca de crochet da anthropologie)


Dobradinha


Konstantin Grcic é o "Criativo do Ano" da revista Blue Design. Konstantin Grcic é o "Furniture Designer of the Year" da revista Wallpaper. Temos dobradinha.

(na imagem, a capa do #12 da Blue Design, da autoria de Catarina Carreiras/ FABRICA)

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Esta Maçã Tem Bicho (E Nós Mordemos)



É o novo bicho da Apple (com "é", não "ei", coitadinhas das maçãs que não fizeram mal a ninguém) e acabo de tropeçar nele. Eu e mais não sei quantos milhões de internautas. Foi oficialmente apresentado há três horas e já está por todo o lado. Chama-se iPad e não é um iPod gigante nem um computador pequeno. Também não é um iPhone, apesar de ter acesso a 140 mil apps (aquelas aplicações para tudo e para nada). É finíssimo e branquíssimo e elegantíssimo como tudo o que sai da cabeça de Jonathan Ive (que acabei de descobrir, via vídeo de apresentação do iPad, é Jony para os amigos). É alta tecnologia lounge. Dá para tudo, só não tem câmara (hélas!). Podemos navegar na Net, ouvir música, ver fotografias e filmes, ler o jornal, ou "folhear" um livro descarregado em poucos segundos. Dizem os entendidos que vai destronar o e-reader da Amazon, e já lhe chamam um "Kindle killer". Diz Steve Jobs que é revolucionário. Dizem as mulheres que os tipos do marketing da Apple são estúpidos, porque "pad", em inglês, também é sinónimo de penso higiénico (e realmente parece fino e seguro, como se pode ver aqui) . Eu acredito em tudo. Buy it all. Até o próprio bicho, assim que puder. Ainda não está à venda mas até aí está tudo pensado. O preço da versão básica é 499$. O que, pensando bem, até é um bocadinho assustador.

(na imagem, o novo iPad da Apple. O vídeo de apresentação, muito americano e muito hipnótico, está aqui)

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Ainda Inga



Já adormecia, neste sofá de Inga Sempé. Parece um banco de jardim, mas ficava mesmo bem, todo armado em chaise-longue, debaixo de uma destas janelas, com a luz ideal para ler. É muito bom o contraste entre a rigidez da madeira e a souplesse da "colcha" que o cobre. É melhor ainda a simplicidade. Ainda Inga, que povoa o nosso mundo de objectos acertados.

(nas imagens, duas versões do novíssimo sofá Ruché, de Inga Sempé para Ligne Roset. Rima e tudo, ena ena.)

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

O Fio à Meada




Descobri estas "luvas" via Rosa Pomar. Finalmente encontrei uma boa razão para não querer que o Inverno acabe rapidamente. Que delícia. Descobri que as ditas luvas -wrist worms- são feitas à mão, na Suécia, por uma senhora cheia de talento que vive numa casa daquelas que só existem nos blogues. Chama-se Sandra Juto e é ilustradora e designer gráfica. Enquanto não chegam as minhas (já me imagino a passear, velocíssima, pelas teclas do computador com umas calçadas) quase perco o fio à meada entre posts e links luminosos. Nunca mais acabam. Que bom.


(Não resisti a postar mais do que uma imagem das criações em crochet de Sandra Juto, as genuínas Wrist Worms. Todas as imagens © Sandra Juto)