
Caiu-me nas mãos ontem, este livrinho do Alberto Moravia. E já não consegui separar-me dele. Não é propriamente uma novidade, mas que se lixe. É muito bom. Ali, incisivo e cristalino. Foi escrito em 1961, durante uma viagem que o escritor italiano fez com a mulher, Elsa Morante, e Pier Paolo Pasolini (que também escreveu um livro, que acabou por ser para aqui chamado, e está, por exemplo,
aqui). Talvez por ser extremamente "sintético" (não sou eu que o digo), por reduzir a traços finos aquilo que não muda nem em cinquenta, nem em cem anos, o livro não perde actualidade. Depois deste prelúdio, só mesmo lá.
"E o que é a Índia?
Como hei-de dizer-te? A Índia é a Índia.
Mas suponhamos que eu não sei de todo o que é a Índia. Diz-me tu o que é.
Eu também não sei verdadeiramente o que é a Índia. Sinto-a, é tudo. Também tu deverias senti-la.
O que queres dizer?
Quero dizer que deverias sentir a Índia do mesmo modo que se sente, no escuro, a presença de alguém que não se vê, que guarda silêncio, no entanto está lá."
Alberto Moravia in Uma Ideia de Índia, ed. Tinta da China, 2008
(
na imagem, capa do livro Uma Ideia da Índia, de Alberto Moravia, editado em Portugal pela Tinta da China.)