"A verdade é que a gente não faz filhos. Só faz o layout. Eles mesmos fazem a arte-final."
Luís Fernando Veríssimo

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Ninho





Este não s'aguenta é partilhado com S. Viu no computador e não parou de olhar. Apontar. Um "chitex". Quase dizia: "casa" (apesar desta palavra não fazer ainda parte do seu léxico, mais debruçado sobre os comes e bebes - papa, massa, bolacha, "misu" para sumo, etc.- e os afectos que o rodeiam). Linda casinha, não é? Fica na Suíça, e é um winter retreat verdadeiramente deslumbrante. Ou um ninho para toda a vida e qualquer estação. Construída no meio das rochas (atenção à fotografia onde a casa quase não se distingue da montanha), "à mão", por uma data de estudantes temerários do Politécnico de Zurique, é um projecto dos arquitectos Bearth & Deplazes. Polifacetada, o interior de madeira contrasta com a luzidia pele de alumínio. E ainda por cima é sustentável: o objectivo é que consiga atingir 90% de auto-suficiência energética. Está na capa da Icon, que ainda não chegou aos quiosques portugueses, mas deve estar quase.

(imagens da Neue Monte Rosa Hutte, de Tonatiuh Ambrosetti)

Gourmandises




Um dos meus livros de cozinha favoritos, sobretudo porque não é um livro de receitas. Já tem uns aninhos mas acaba de ganhar um prémio. Parece que os senhores gourmands se renderam ao design de Eat Love, o livro de Marije Vogelzang, e não é de estranhar. E porque não resisto, a autora, de galinha na cabeça, numa memorável fotografia que foi capa da Icon.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Chimero de Ouro


Às voltas na Net descobri o trabalho de Frank Chimero. Esta ilustração, que está na abertura do site, chama-se A Light That Never Goes Out. É preciosa. É o nocturno ideal, disparador de ligações, com ares de Village e direito a banda sonora imaginária.

(na imagem, ilustração de Frank Chimero. Chimero é professor na Universidade do Missouri e entre os seus clientes encontram-se o The New York Times, a Business Week, a Wired, a Starbucks, e a Nike)

Gelada (Wieki Somers)




O tempo pede-o e aqui está um post sobre a exposição da holandesa Wieki Somers na Kreo. A designer inspirou-se no fenómeno meterológico que em Março de 1987 cobriu de gelo boa parte da paisagem holandesa (Somers descobriu o fenómeno num livro de fotografias encontrado num mercado de rua. E a pergunta é: porquê 1987? Será que não voltaram a ver granizo desde então?). Para Somers, o interessante da chuva gelada não é o que esconde, mas o que revela. E é essa beleza cristalizada que transporta para estes objectos, estranhos, frágeis, e às vezes na fronteira do piroso. Para Frozen in Time, que assim se chama a exposição, Somers cobriu os objectos de uma resina líquida, que solidificada, retém a impressão de estar a liquefazer-se. Não é a Somers desta banheira-barco onde embarcava sem hesitar, mas é bom na mesma.

(imagens de Fabrice Gousset/ Galerie Kreo. A exposição Frozen in Time, a 60ª da Galerie Kreo, em Paris, pode ser vista até 20 de Março)

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Mat e Eu


Quando for grande quero ser como a Matylda (OK, não loira). A vida dela é saltitar de exposição em exposição, de feira em feira, de design week em design week, descobrir imenso design com pinta e conversar com imensas pessoas interessantes. Como tem muita lata, pede aos seus interlocutores que lhe concedam uma "entrevista desenhada". Os entrevistados respondem a três perguntas com rabiscos, gatafunhos, ou gráceis esquissos. E depois Matylda publica tudo no seu blogue. A ideia é gira, o blogue, chamado Mat and Me, também, e por isso partilho para quem não foi ainda lá parar. Espreitem aqui.

E agora, porque não sou Matylda, vou ver se o meu bichinho S. não se destapou. É que como diz a minha amiga R., ele é a melhor peça que fiz.

(na imagem, o autoretrato de Stuart Haygarth, publicado no blogue Mat and Me)


quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Nunca Mais Chega o Verão...


... mas já sonho com os meus "meneinus" a correr pela praia, e depois, de banhinho tomado e perfumadíssimos, com estes conguitos, versão vintage, em cores tão bonitas.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

"A Índia é a Índia"


Caiu-me nas mãos ontem, este livrinho do Alberto Moravia. E já não consegui separar-me dele. Não é propriamente uma novidade, mas que se lixe. É muito bom. Ali, incisivo e cristalino. Foi escrito em 1961, durante uma viagem que o escritor italiano fez com a mulher, Elsa Morante, e Pier Paolo Pasolini (que também escreveu um livro, que acabou por ser para aqui chamado, e está, por exemplo, aqui). Talvez por ser extremamente "sintético" (não sou eu que o digo), por reduzir a traços finos aquilo que não muda nem em cinquenta, nem em cem anos, o livro não perde actualidade. Depois deste prelúdio, só mesmo lá.

"E o que é a Índia?
Como hei-de dizer-te? A Índia é a Índia.
Mas suponhamos que eu não sei de todo o que é a Índia. Diz-me tu o que é.
Eu também não sei verdadeiramente o que é a Índia. Sinto-a, é tudo. Também tu deverias senti-la.
O que queres dizer?
Quero dizer que deverias sentir a Índia do mesmo modo que se sente, no escuro, a presença de alguém que não se vê, que guarda silêncio, no entanto está lá."

Alberto Moravia in Uma Ideia de Índia, ed. Tinta da China, 2008



(na imagem, capa do livro Uma Ideia da Índia, de Alberto Moravia, editado em Portugal pela Tinta da China.)

Industrial Romântico


A minha amiga (quase imaginária, fiz-lhe uma entrevista e gostei da onda) Inga Sempé mandou-me imagens deste candeeiro que desenhou para a Wastberg. Vai ser apresentado na feira de Estocolmo, que parece que arranca hoje (e já rumava ao Norte, ou melhor ao Sul, onde está a minha metade na terra). O seu aspecto técnico, industrial, parece estar a milhas de Vapeur, um dos meus objectos preferidos desenhado por Sempé. Mas quando o olhamos melhor, percebemos que é um industrial suavizado, quase romântico. Evocador.

(na imagem, candeeiros Sempé w103 de Inga Sempé para a Wastberg. A editora lança também um novo candeeiro de - Sir -David Chipperfield)

Um Mundo de Contrastes


Passei a adolescência a ouvir a minha mãe dizer-me: "a vida não é só preto e branco, há cinzento também". Hoje compreendo o seu esforço por introduzir algumas nuances na minha paleta radical. Mas aqui está este globo terrestre, a preto e branco contrastado, para dar razão à minha rebeldia. Desenhado pelo atelier nendo, a ideia era fazer um globo mais "emocional", que aqui significa, suponho, mais imediato e instintivo, com a informação reduzida ao essencial, sem ruído visual. Existe em vários tamanhos, e vou mostrá-lo ao G., o meu broto de seis anos apaixonadamente geofreak, assim que chegar da escola.

(na imagem, globo terrestre Corona, de nendo para Watanabe Kyogu)

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Poderosos


Theodore Richardson, Charles Brill e Alex Williams são os três sócios da "Rich, Brilliant, Willing", que não é uma sociedade de advogados com um nome pomposo e eighties (soa a telenovela australiana) mas um atelier de design do mais cool que há. Para começar, estão em Manhattan, a poucos quarteirões do venerável New Museum. E depois, fazem coisas destas. Considerados pela revista Surface um dos novos talentos a seguir com atenção, e com uma linha a sair em breve na cadeia Urban Outfitters, para mim, foram amor à primeira vista.

(na imagem, © richbrilliantwilling, Russian Doll, mesas concêntricas de alumínio, vidro e cortiça que se escondem dentro de outras. Mais Matrioskas. Estão a ver?)